Mais um estudo aponta a maconha como fator desencadeador de esquizofrenia.

EFE – Publicado no jornal O GLOBO de 24 de Julho de 2007 – O consumo de cannabis, planta da qual se produz maconha e haxixe, pode favorecer o aparecimento de sintomas de esquizofrenia e outros tipos de psicoses, afirmaram os autores de uma pesquisa feita na Clínica Universitária Psiquiátrica de Zurique, baseada na recopilação de dados clínicos durante 30 anos.

Em artigo publicado hoje, na revista especializada Schizophrenia Research, os pesquisadores afirmam que a “cannabis é menos inofensiva do que se pensava”, e recomendam a reavaliação dos fatores de risco propiciados pelo consumo dessa substância, e sua influência no desenvolvimento de doenças psíquicas.

Os autores da pesquisa recomendam que, em princípio, as pessoas com tendência a desenvolver tais patologias, seja por suscetibilidade pessoal ou histórico familiar, renunciem ao consumo da cannabis.

Dirigida pelos cientistas Wulf Rossler e Vladeta Ajdacic, o estudo permitiu determinar um aumento dos casos de esquizofrenia nos jovens de Zurique nos anos 90, em relação ao consumo de maconha e haxixe.

Esse resultado surgiu da análise do registro de entradas em centros psiquiátricos dessa cidade, entre os anos de 1977 e 2005.

Mais concretamente, as estatísticas apontam que, entre os jovens de 15 a 19 anos, os casos de psicoses esquizofrênicas aumentaram de 20 para 50, por cada 100 mil habitantes, entre 1990 e 1998.

Os pesquisadores relacionaram essa tendência ao aumento do consumo de cannabis por usuários cada vez mais jovens. Segundo o artigo, uma evidência disso seria que o consumo da droga entre adolescentes do sexo masculino, com idades entre 15 e 16, anos passou de 15% para 40% nesse período.

Outra revelação é que o aumento das doenças psiquiátricas foi particularmente grande entre os homens jovens, em relação a mulheres e outros grupos etários.

Além disso, os autores do estudo revelam que a combinação de cannabis e de ecstasy aumentou o surgimento de psicoses na década de 90, embora reconheçam que não contam com provas definitivas a esse respeito.